
domingo, 24 de outubro de 2010
34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

quarta-feira, 20 de outubro de 2010
“O Despertar dos Mortos”

A segunda parte da série sobre zumbis de George A. Romero se dá após os acontecimentos de “A noite dos Mortos Vivos”, de 1968. Quatro pessoas fogem em um helicóptero e refugiam-se em um shopping Center.
Se com a primeira parte da série, Romero foi o precursor dos filmes de zumbis como conhecemos atualmente (e soube aliar suspense à crítica social), em “Os Despertar dos Mortos” soube fazê-lo novamente agregando ainda efeitos especiais surpreendentes para a época e um belo tom de humor.
Desde o início, com a epidemia de zumbis se alastrando, é na emissora de Tv que se dá o primeiro tom crítico de Romero. Listas de abrigos são divulgadas durante a programação, ao descobrir que algumas já estão inoperantes Francine, Gaylen Ross, opta por divulgar apenas os abrigos que podem ser utilizados, despertando a ira do produtor que quer a lista completa, afinal são por essas de informações que os espectadores anseiam. Particular semelhança com a imprensa nos dias de hoje, inclusive no Brasil, é mera coincidência.
Paralelo a isso vemos uma ação policial onde um prédio habitado por negros e latinos é invadido. Mais uma vez Romero alfineta na questão do racismo, salientado pela curta presença de um personagem, Wooley, que enlouquecido de ódio por essas minorias sintetiza o preconceito presente na cultura estadunidense em suas balas. Descontrole que cessa apenas ao ser abatido justamente pelo protagonista da trama, um ator negro.
É a partir do momento em que a Francine e seu “namorado” Roger utilizam o helicóptero da emissora de TV para fugir, juntamente com dois policiais saídos da ação anterior, Stephen e Peter, e seguem rumo ao shopping, que o tom metafórico de crítica social presente nesta obra de Romero é mais explícito.
Os zumbis presentes, corpos sem vida que se movem de um lado para outro dentro desse templo do consumismo, são apresentadas como criaturas guiadas por instinto. A Crítica ao modelo consumista capitalista é enorme, e Romero liga com maestria os humanos, que até os dias de hoje perdem-se diante de anseios e desejos por consumo, com seus zumbis. Tal comparação é evidenciada ainda mais no momento em que os quatro protagonistas estão de frente para entrada do shopping, vestidos com casacos de pele, recém tirados das lojas, e conversam sobre as criaturas. “Não sabem por que, mas se lembram de que queriam vir aqui.”
Durante todo o filme, percebem-se os zumbis com seus braços estendidos passeando sem rumo por entre corredores e escadas rolantes, que na ausência de carne, terminam por apenas perambular no shopping.
Os quatro protagonistas também rendem-se às maravilhas proporcionadas pelo local, e como dito pela própria personagem Francine, acabam hipnotizados pelo lugar deleitando-se entre roupas, guloseimas, dinheiro e brinquedos. Sedução essa que aplica-se também à guangue de saqueadores que invade o local.
Romero alfineta como poucos a sociedade contemporânea e revela-se ainda atemporal, já que a obra dialoga perfeitamente com a realidade atual.
Mas não é apenas no tom crítico social que “Os Despertar do Mortos” tem êxito. Além disso, é acertada no suspense e horror que envolve o espectador, dosado ainda com um excelente tom cômico. Reafirma o gênero dos zumbis e, a meu ver, é a obra máxima de Romero (juntamente com “Noite dos Mortos Vivos”) e do que fora produzido sobre zumbis até os dias de hoje.
As mais fantásticas doses de humor ficam para o final, que junto com as maiores cenas de ação e carnificina dão tom à invasão do shopping pelos saqueadores.
Tom Savini firma-se como mestre dos efeitos especiais e com certeza levou ao enjôo os de estômago mais fraco, frente ao sangue e pedaços de carne tão bem criados e posicionados.
A música original do filme, criada pelo grupo “The Goblin” e Dario Argento casa perfeitamente com o filme e dá o tom para exato tanto para os momentos de maior suspense ou ação quanto para um trilha sonora de shopping center.
“O Despertar dos Mortos” é obrigatório para os amantes do horror e para todo bom cinéfilo. Podendo agradar àqueles que buscam desde grandes interpretações metafóricas a horror de qualidade ou apenas uma boa diversão.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
O Retorno e um pouco de 2009.
Para reinaugurar, breves comentários sobre alguns títulos que se destacaram em 2009, não apareceram por aqui, mas devem ser vistos.
Um Tarantino maduro alcança o brilhantismo nessa obra digna de aplausos. Roteiro impecável, direção minuciosa e Christoph Waltz magnífico.
"Preciosa - Uma História de Esperança"
Argumento e Roteiros acertados somados a excelentes atuações contam uma história intensa e de difícil digestão. Mo’nique dá vida a um dos personagens mais repulsivos da década.
"(500) Dias com ela"
Foge do rótulo de comédia romântica tola e apresenta uma deliciosa história. Trilha sonora bacana, roteiro bem costurado e montagem eficiente dão tom a um bom resultado.
"Anticristo"
Lars Von Trier ultrapassa a simples barreira do gostar ou não. Cenas épicas se contrapõem à tortura psicológica e visual. Marcante e Reflexivo.
"Se Nada Mais der Certo"
Após uma demorada espera entrou no circuito o quarto longa de José Eduardo Belmonte. Com uma direção caprichada, ida com a desesperança em uma trama densa. Cauã Reymond surpreende.





